Peter Behrens: O X da questão

Texto desenvolvido por José Gabriel da Silva Nazário para a disciplina Introdução ao Estudo do Design – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Departamento de Artes – Bacharelado em Design – Novembro de 2019. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo N. Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).

Peter Behrens: O X da questão

A cada geração nós somos abençoados com um grupo de artistas inteligentes o suficiente ao ponto de ser capaz de desenvolver trabalhos quais se destacam no meio de tudo o que as pessoas de sua realidade estão acostumadas, Peter Behrens “foi o primeiro defensor da tipografia sem serifas e usou um sistema de grids para estruturar o espaço em seus leiautes. Foi chamado de “O primeiro designer industrial” (MEGGS, História do design gráfico, PAG. 298) Sua visão á frente do tempo inspirou em Behrens a vontade de desenvolver uma nova era tipográfica voltada á técnica, praticidade e lógica, representados por uma estética sem serifas em um período em que o estilo gótico de fontes era a maior tendência no mercado de tipos. Este trabalhou deu a Behrens a honra de ser conhecido como um tipográfico de pensamento único e de trabalhos que pareciam estranhos em sua época, mas são essenciais para as épocas seguintes, especialmente a nossa.

Nascido em 1868, Hamburgo, até então Confederação da Alemanha do Norte, Behrens iniciou participação na escola Gymnasium Christianeum, escola de latim, em 1877 até 1882, onde desenvolveu estudos artísticos, especialmente de pintura. Com os estudos concluídos, ele, inicialmente, realizou serviços de pintor, ilustrador e também trabalhou com encardenação. Em 1899, recebeu o convite do Duque de Hesse Ernest Louis, neto da Rainha Victoria, para fazer parte da residência “Darmstadt Artists Colony”, onde ele e outros profissionais se alojaram para o desenvolvimento de trabalhos financiados. Essa mudança refletiu em seus trabalhos, visto que nesse momento, Behrens foi capaz de realizar criações mais serias, objetivas e rígidas.

Em 1907, Behrens se uniu a outros profissionais como Joseph Maria Olbrich, Bruno Paul e Richard Riemerschmid para criar a Deutscher Werkbund (Associação alemã de artesãos), esses membros tiveram como objetivo subir a média de qualidade dos trabalhos alemãs nos utensílios já existentes, esse cuidado elevou a posição da associação em relação aos seus concorrentes. Neste mesmo ano, Peters iniciou o seu trabalho para a AEG (Allgemeine Elektricitäts Gesellschaft) entre seus serviços prestados á associação, podemos apontar a reforma do logotipo e com ele, toda a identidade visual da marca – essa reforma fez com que Behrens fosse considerado “O primeiro designer industrial da história”, provando mais uma vez que sua mente conseguia pensar diferente de todas as pessoas ao seu redor, além disso, o seu trabalho também foi muito importante para a evolução dos produtos elétricos, principalmente de chaleiras. “Em 1907, a indústria elétrica era de ponta; as chaleiras elétricas pareciam tão avançadas quanto os produtos eletrônicos digitais de hoje” (MEGGS, História do design gráfico, PAG. 302), como se tudo citado acima não fosse o suficiente, Behrens ainda trabalhou na construção da AEG Turbine Factory por volta de 1909, em Huttenstraße, a construção se resumiu na utilização de vidro, metal e tijolos, essa fabrica se destacou das demais AEG por apresentar uma arquitetura muito mais moderna, hoje o prédio é um monumento histórico.

AEG Turbine Factory

Como tipográfico, Behrens desenvolveu um tipo exclusivamente para a utilização na AEG “Numa época em que o design gráfico alemão era dominado pela letra gótica tradicional e por estilos decorativos da era vitoriana e do art nouveau, Behrens desenhou letras de estilo romano inspiradas em inscrições clássicas” (MEGGS, História do design gráfico, PAG. 304), consolidando Behrens mais uma vez como um artista único. Inicialmente, esses tipos não eram disponibilizados para um amplo grupo de pessoas, o que fez com que a utilização de displays fossem feitos a partir de caligrafia manual, seu trabalho teve como objetivo principal a intenção de diferenciar a AEG das demais empresas que haviam no mercado. A identidade desenvolvida por Peters, incluía uma estética inspirada na cerâmica grega e romana, além da utilização conceitual da posição de tipos, além de um grid diferente do que havia na época, esses elementos trouxeram uma personalidade totalmente única á empresa.

Seu trabalho nos presenteou com o desenvolvimento de uma serie de lâmpadas capazes de emitir uma luz trezentas vezes mais luminosas do que as demais presentes no mercado, esse produto era dependente de grampos de rápidas desmontagem, já que suas barras de carbono deviam ser substituídas entre oito a vinte horas para uma boa funcionalidade. A energia radiante se mostrou uma característica tão forte para esse produto que foi o elemento principal para o cartaz promocional desenhado por Behrens por volta de 1910, onde formas geométricas preenchiam o espaço, trazendo inovação ao campo de artes visuais por se diferenciar dos cartazes padrões da época

Com o lançamento de seu livreto “Feste des Lebens und der Kunst: eine Betrachtung des Theaters als Hochsten Kultursymbol” (Celebração da vida e da arte: Uma consideração sobre o teatro como símbolo mais alto de uma cultura) Behrens foi capaz de provar mais uma vez sua singularidade, já que a obra foi realizada a partir de uma tipografia sem serifas, diferente do que era considerado bonito na época, “Segundo o historiador alemão da tipografia Hans Loubier, esse livrinho pode representar o primeiro uso de tipos sem serifas em texto corrido. Além disso, versais sem serifa são usadas de maneira inédita no título e nas páginas de dedicatória.” (MEGGS, História do design gráfico, PAG. 299), a seguir, Behrens continuou investindo nessa ideia com mais artistas agregando nesse estilo,  dez fontes diferentes e sem serifas foram desenvolvidas pela Fundição Berthold.

Tendo analisado como o seu trabalho se destacou através da arquitetura, tipografia e até mesmo pela atualização de lâmpadas, podemos concluir que Peter Behrens contribuiu para o uso prático de instrumentos visuais e eletrodomésticos, trazendo lógica e agilidade para o nosso estilo de vida. A sua preocupação e empenho em desenvolver um trabalho diferente do usual foi essencial para a  popularizar o uso de tipos sem serifas tem impacto até os dias de hoje, afinal, é esse tipo de fonte que está no trabalho que você lê nesse exato momento.

Referencias: MEGGS, História do Design Gráfico, edição de 2009.

<Peter Behrens (1868 — 1940)> Tipografos.net Consultado em 26/11/2019

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