Texto Por Luiz Santos, Universidade Federal do Rio Grande do Norte
As ideias para o futuro são sempre incertas, uma vez que tudo pode ser diferente do imaginado. Algumas ideias podem funcionar, outras podem só entrar em uma caixa e serem esquecidas pelo tempo. Mas há as que são utilizadas não para a forma que esperamos, mas mesmo assim ainda usadas para pensar o futuro.
Aqui trago algumas das ideias de Normam bel Geddes, retiradas de seu livro “Horizons” e de outros de seus projetos, que vigavam a ideia do futuro de antigamente e Como algumas delas foram aproveitadas aos dias de hoje. Não sendo necessariamente trazidas a realidade, mas ainda sim sendo base para a imaginação de um novo futuro.
Então, começando do começo. Introduzindo a ideia do futurismo. Afinal as ideias necessitam vir de algum lugar. E esse movimento tem lugar e data.
“Em 1909, com a publicação, na capa, do jornal francês Le Fígaro, o primeiro manifesto futurista veio a público, tendo a autoria do poeta Filippo Marinetti. O Futurismo italiano é o movimento que surgiu na intenção de romper com tradicionalismo cultural. O manifesto exaltava a velocidade, a coragem, a audácia, o amor ao perigo, a insônia febril. Glorificava a guerra, o militarismo, o patriotismo, queria acordar o mundo, para o movimento, para o crescimento”
“Resumia-se a um ataque furioso e provocativo ao peso da tradição e um chamado à Itália para entrar na era moderna” (Desenho industrial – pg 96. Cap 5)
“A influência do futurismo se deu principalmente no reino das ideias e sua imagem de máquinas transformando a sociedade e a arte foi difundida e absorvida por toda a Europa” (Desenho industrial – pg 96. Cap 5)
“O princípio artístico dominante era o “dinamismo”, que procurava descrever a velocidade, o movimento e sensações simultâneas da vida moderna” (Desenho industrial – pg 96. Cap 5)
O futurismo traz uma nova releitura de arte ao mundo: a velocidade, a eletricidade, as maquinas, a agressividade. Fazem com que o homem deste novo século imagine o progresso e a modernidade. “A modernidade significava maquinas e tecnologia” (Desenho industrial – pg 96. Cap 5).
Tendo em vista as ideias do futurismo. E não sendo seu inventor, mas o maior responsável por espalhar a ideia de aerodinâmica. Surge Geddes nos EUA com suas novas ideias. Estabelecendo seu padrão estético, o streamlining.
“O streamlining foi a estética dominante do design industrial durante muito tempo. Devido às suas linhas dinâmicas, ora compridas e retas, ora curvas e elegantes, ao uso de metais cromados, de pinturas brilhantes e de amplas superfícies envidraçadas considerou-se o “estilo do futuro”, utilizado em automóveis, edifícios, fogões, locomotivas, candeeiros e torradeiras. O streamlining era ao mesmo tempo o motor do progresso tecnológico e uma metáfora de um modo de vida vertiginoso que então se vivia. Nada podia ser mais adequado à indústria”
Obviamente usando e abusando desse estilo, gueddes publicou todas as suas ideias em seu livro de 1932 Horizons, recheado de propostas fantásticas, nomeadamente para meios de transporte. As ilustrações deste livro correram mundo e influenciaram toda uma geração de artistas e criadores.
Em algumas de suas invenções podemos encontrar o Airline No 4.

“A aeronave foi projetada entre 1929 e 1932 com a ideia de mostrar “como será o avião de transporte intercontinental de 1940”. Geddes desenvolveu o conceito geral de design, enquanto o engenheiro aeronáutico alemão Otto A. Koller forneceu o conhecimento de engenharia, pois Geddes não era um engenheiro treinado.
Projetado como um monoplano em forma de V, com nove decks, grande capacidade, galerias de visualização e áreas públicas grandes o suficiente para abrigar uma orquestra, Geddes pretendia que o avião número 4 substituísse o transatlântico. Ele escreveu que “os passageiros a bordo deste transatlântico são capazes de circular tão livremente quanto num transatlântico, desfrutando de recreações e diversões semelhantes àquelas que os passageiros de mar agora estão acostumados”. Teria uma envergadura de 528 pés (161 m) e uma capacidade de 451 passageiros, além de uma tripulação de 155. A potência do projeto foi fornecida por vinte motores de 1.900 cavalos de potência (1.400 kW) com seis em reserva. Cada um ou os dois pontões que sustentavam o avião na água acomodariam os passageiros e também acomodariam três botes salva-vidas, suficientes para todas as pessoas a bordo. Dois hangares internos sustentariam aeronaves menores”
O Motor car No 9:

“O automóvel número 9 fornece um exemplo de seu interesse na racionalização. De muitas maneiras, este carro é diferente de qualquer outro fabricado na época ou posteriormente. Ofereceu excelente visibilidade através do uso de vidro curvo para o para-brisa e as janelas. O volante e o único farol estavam no centro. O carro apresentava um estabilizador vertical, ou leme, na cauda, como um avião. Os para-choques dianteiro e traseiro eram de cromo, e o para-choque traseiro foi fixado por três amortecedores hidráulicos. Esse design oferecia bom uso do espaço interior, oferecendo capacidade para oito pessoas”
Locomotiva No 1, que ao contrário dos carros com aspecto aerodinâmico, foram construídas.

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“Maior conforto do passageiro foi o principal objetivo de Geddes neste projeto de 1931. As comodidades planejadas incluem ar condicionado, poltronas giratórias, camas de três quartos em vez de camas em carros adormecidos e um sistema telefônico completo no trem. Geddes também introduziu melhorias de material e manutenção. As carrocerias de alumínio aumentaram a velocidade do trem e a altura reduzida dos carros reduziu os riscos de tombar. Todas as projeções foram encerradas em uma concha lisa de metal e vidro, e os carros foram conectados com foles telescópicos para eliminar os vazios. Os materiais modernos reduziram as necessidades gerais de manutenção”
Em 1939 Geddes fez sua exposição mais popular, à General Motors, Futurama. Essa exibição maciça proporcionou um vislumbre da América de 1960 em um voo simulado de avião de costa a costa. Rodovias maciças com carros controlados por rádio proporcionavam acesso a cidades com diferentes níveis para automóveis e pedestres. Também haveria muito espaço verde para passar o tempo de lazer. As zonas industriais estariam a uma boa distância dos bairros residenciais. Muitas das ideias que Bel Geddes projetou para Futurama viriam a ser concretizadas nos anos 50 e depois.

Tendo em vista essas invenções, podemos ter uma ideia do futuro que Geddes planejava a nos, embora muitas de suas ideias não tenham passado de apenas ideias, e nunca de fato terem saído do papel para a vida real, é possível encontrar algumas referências de suas invenções em algumas adaptações cinematográficas que remetem ao futuro tais como.
O próprio desenho futurama. Com carros voadores e sistemas de locomoção pela cidade planejados.

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O filme Robots de 2005, com sistemas planejados de locomoção e carros aerodinâmicos.

Bibliografia:
http://obviousmag.org/archives/2008/05/norman_bel_geddes.html
https://www.idsa.org/members/norman-bel-geddes
http://obviousmag.org/archives/2008/06/futurama_uma_visao.html
http://www.tipografos.net/design/geddes.html
http://esteticaarte2009.blogspot.com/2009/08/futurismo-italiano.html
http://obviousmag.org/archives/2008/05/norman_bel_geddes.html