Texto produzido por Camilly Balbueno Cariolato, discente do curso de Design da UFRN
O caminho de Behrens rumo ao futuro do Design Gráfico
Reconhecido por muitos como o primeiro design da história, Peter Behrens nascido em 1869 em Hamburgo, foi pintor, ilustrador, designer e arquiteto autodidata alemão do século XIX, início do XX. Sua colaboração para estas áreas fazem jus ao seu legado como pai do racionalismo produtivo e da arquitetura industrial.
Ter sido órfão aos 14 anos e herdado uma quantia considerável de dinheiro, tornou possível seu enfoque e evolução profissional, sem se preocupar muito com o retorno financeiro.
Após frequentar a Escola de Belas Artes e durante o renascimento das Artes e Ofícios da Alemanha, partiu para Munique onde trabalhou como pintor e ilustrador influenciado pelo movimento Jugendstil dos anos de 1890, termo alemão para o mais conhecido como Art Nouveau.
Ao adquirir um terreno cedido pelo grão-duque de Hessen em no intuito de estimular o crescimento cultural e econômico na indústria, Behrens por volta de 1890 projetou sua própria moradia, cada utensílio e mobiliário. Para ele, os objetos não deveriam levar em suma apenas estética ou funcionalidade, mas sim ambos.
Todo o seu conhecimento em artes aplicadas e suas vivências, o estavam impulsionando para o que conhecemos hoje como design gráfico. Em seu livreto escrito em 1900 “Celebração da vida e da arte” continha vinte e cinco páginas escritas de um tipo sem serifa, era uma suposta tentativa de expressar o espírito de uma nova era. Ele “acreditava que, depois da arquitetura, a tipografia fornecia o retrato mais característico de um período, e o testemunho mais forte do progresso e do desenvolvimento de um povo” (Meggs, 2009, pg.300). O que evidencia a importância da tipografia para Peter e revela o porquê ter se dedicado a área tipográfica.
O interesse pelo tipo sem serifa partia também de outras vertentes. A família Akzidens Grotesk da Fundição Berthold contava com dez fontes, cujas variações tornavam possível a versatilidade de obter contraste e ênfase usando uma só família tipográfica. Tudo por conta da mudança de peso modificada em cada fonte.
Com a virada do século a necessidade de mudanças era crescente. Havia uma certa urgência de inovação na comunidade de arte e design alemã. Então em 1901 foi a vez de Behrens fazer seu nome mais uma vez com o lançamento da Behrensschrift, sua primeira fonte, que foi fabricada pela Fundição Klingspor.
“BEHRENSSCHRIFT era uma tentativa de reduzir todo o floreado poético que marcasse as formas, e com isso torná-las mais universais” (Meggs, 2009, pg .300). Destacando-se assim dos tipos mais utilizados na época e diferenciando-se pela utilização de traços padronizados, numa combinação do caráter pesado e estreito da letra gótica com as proporções das antigas inscrições romanas. O que resultou numa perfeita combinação tanto na composição de livretos quanto em artefatos impressos.

Com intuito de voltar aos princípios intelectuais de criação formados a partir da espontaneidade artística, dirigiu a Escola de Artes e Ofícios da cidade de Düsseldorf onde fora lecionado cursos preparatórios que antecediam estudos de arquitetura, projetos de interiores e artes gráficas, percursores do Curso Preliminar da Bauhaus, onde dois de seus aprendizes atuaram como diretores: Walter Gropius e Ludwing Mies van der Rohe.
Porém, em 1901, o arquiteto holandês J.L. Mathieu Lauweriks que era fascinado por formas geométricas e desenvolvera um sistema de ensino baseado na composição geométrica, onde seus grids partiam um círculo dentro de um quadrado originando novas figuras com padrões formados pela subdivisão e duplicação dessa figura base, acabou por inspirar Peter. “ A aplicação dessa teoria por Behrens mostrou-se catalisadora para levar a arquitetura e o design do século XX em direção ao uso da geometria racional como sistema fundamental à organização visual. Seu trabalho desse período parte das experiências iniciais do construtivismo no design gráfico, em que representações realistas ou mesmo estilizadas são substituídas por estrutura arquitetônica e geométrica.”

Em 1907 Behrens recebeu uma proposta de ser consultor artístico da indústria alemã de produtos elétricos AEG, onde concentrou-se nas necessidades da indústria. Ao mesmo tempo participou da Deustche Werkbund, a associação alemã dos artesãos, inspirada por Morris, mas que defendia o uso da máquina enfatizava o design como meio de conferir forma e significado aos artefatos feitos por ela. A Werkbund pretendia criar uma cultura universal por meio do design de objetos e acessórios feitos para o cotidiano.
“Uma filosofia do design é uma visão meramente ociosa até que alguém crie um artefato que a convertam em uma força concreta no mundo e os membros da Werkbund procuravam conscientemente uma nova linguagem projetual para realizar suas metas.” (Meggs, 2009, pg.303)
Seu trabalho para a AEG se orientava pela harmonia de dois conceitos distintos: o neoclassicismo e Sachlichkeit (objetividade do senso comum) . Assim criando uma identidade visual única para a empresa, onde mantinha um padrão de elementos, cores análogas, e uma tipografia criada para uso dos impressos (Behrens-Antiqua), que inicialmente eram feitas a mão por ainda não estarem disponíveis em tipos móveis. O projeto abrangia área da arquitetura, onde ele buscava a neutralidade e padronização de seus produtos, cuja forma era oriunda da função e não de seu embelezamento

Após o encerramento do seu contrato para a empresa, Behrens embora fizesse alguns trabalhos esporadicamente, concentrou-se na arquitetura.
“Seu trabalho durante as décadas iniciais do século concretizou um avançado pensamento sobre o design ao mesmo tempo que lançou semente para os futuros avanços”.(Meggs, 2009,pg.307).
Fontes Bibliográficas:
MEGGS, Philip B.; PURVIS, Alston W.; Hitória do Design Gráfico, 2009 – Brasil, Cosac & Naify, 14 de agosto de 2009.
TAGLIANI, simone. PETER BEHRENS: A ARTE E A ESTÉTICA NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL. Disponível em: http://www.blogdaarquitetura.com/peter-behrens-arte-e-estetica-na-producao-industrial/ . Acesso em: 19 de novembro de 2019.
Texto desenvolvido por Camilly Balbueno Cariolato para a disciplina Introdução ao Estudo do Design – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Departamento de Artes – Bacharelado em Design – Novembro de 2019. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo N. Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).